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Ecologia no Pantanal

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Informações básicas

E agora vamos...

No Pantanal existe um ditado: - "o Pantanal é vida". Se esta única e preciosa vida deve ser salva, o Pantanal necessita de muita ajuda.

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Há 60 milhões de anos ocorreu o soerguimento da Cordilheira dos Andes e do Planalto Brasileiro, e entre essas grandiosas formas geológicas, formou-se uma vastíssima depressão e, com o decorrer do tempo, sedimentos das regiões adjacentes e mais altas foram sendo depositados, compactados e sedimentados, formando uma planície sedimentar de aproximadamente 500 mil km²: o Pantanal. E é nessa planície que corre o caudaloso Rio Paraguai, a artéria desse ecossistema, que desenha suas formas e cava seus meandros com seus inúmeros afluentes vindos do norte, do sul e do oeste, formando assim uma importante e peculiar rede hidrográfica.

A planície do Pantanal estende-se até a Bolívia, onde recebe o nome de Chaco. Ela foi formada pelo mesmo fenômeno e no mesmo período que o Pantanal, porém, apresenta  diferenças fundamentais. Os rio que drenam a planície do Chaco são originários dos altiplanos andinos, onde ao índices pluviométricos são exíguos, por isso, não ocorrem inundações como no Pantanal Matogrossense. As terras do Chaco são áridas, exatamente pela deficiência de chuvas e umidade, não havendo aí um ciclo vital renovador, como o que ocorre no Pantanal, nem a variedade e exuberância faunística e florística, como a pantaneira.

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 Pantanal é a maior área úmida continental do mundo, apresentando uma fauna muito rica, com 263 espécies de peixes, 122 espécies de mamíferos, 93 espécies de répteis, 1.132 espécies de borboletas e 656 espécies de aves. Grande parte do terreno é alagado uma vez por ano, na época da cheia.

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O fenômeno das enchentes:

Os rios que compõe a Bacia do Alto do Paraguai é que alimentam, reciclam e renovam a vida no Pantanal. Com o início da estação chuvosa na cabeceira desses rios, ocorre a subida do nível das águas do Rio Paraguai e de seus afluentes, por serem rios típicos de planície (rasos e com pequenas barrancas) as águas pluviais vão transbordando lentamente do leito, resultando no fenômeno das enchentes e cheias no Pantanal. As águas vão se espalhando, e cobrindo vastas extensões, com uma lâmina de água que varia de centímetros até 1,5 metros. O percurso que as águas fazem podem durar até 6 meses, ou seja, a água que a cabeceira recebeu pode chegar no curso inferior quando no curso superior já estiver seco.

As cheias chegam a cobrir até 2/3 da área do Pantanal, sendo que há áreas permanentemente inundadas e outras que permanecem secas mesmo durante os eventos de grandes cheias. O Pantanal volta a ficar seco na vazante, que normalmente começa em maio, quando a quantidade de água recebida no curso superior diminui assim, as águas começam a baixar lentamente, assim como subiram e os rios voltam a correr em seus leitos. O Pantanal, tem um volume de água, durante a inundação, de aproximadamente 2 milhões de m³, considerada uma das maiores reservas de água doce do continente americano.

Ciclo Vital Pantaneiro

Anualmente, repete-se no Pantanal o fenômeno das cheias, já descrito anteriormente, proporcionando ao local uma renovação faunística e florística generalizada.

Com o início da estação chuvosa, a partir de novembro, as águas dos rios, corixos e lagos transbordam, se interligando e cobrindo a vasta planície pantaneira, formando um imenso mar de água doce, tradicionalmente chamado de “Mar dos Xaraiés”, nome de uma tribo indígena que ocupava a região nos primórdios da colonização.

Na superfície da água bóiam diversos microorganismos vegetais e animais que servem de alimento para peixes e seus filhotes. Os peixes de piracema sobem os rios para a desova e procriação, em seguida seguem com os alevinos até as áreas alagadas e paradas. As demais espécies, procuram diretamente essas áreas para desova, que nesse período é o habitat ideal para peixes pois há abundância de alimentos (microorganismos) e luminosidade.

Esses milhares de peixes significam alimentos para peixes maiores, para aves e outros animais pantaneiros.

Quando as águas começam a baixar alguns cardumes ficam retidos em lagoas temporárias, esse fenômeno do retorno dos peixes aos mananciais perenes é conhecido como “Lufada”.  

Grande quantidade de peixes ficam retidos , garantindo a alimentação de aves e animais carnívoros, dentre eles: jacarés, ariranhas, lontras, que com facilidade adquirem seu alimento. Muitas vezes filhotes de aves que estão em ninhos próximos a água, acabam por cair e alimentando outros animais. Em algumas lagoas rasas é possível ao homem pegar pacus, pintados com as mãos.

Nas lagoas que secam totalmente, os peixes que ficaram retidos, que não foram consumidos nem por homens ou outros animais como urubus, irão se decompor e servir de nutriente, o húmus, para o solo, auxiliando no crescimento do pasto, de raízes e sementes, fazendo revigorar o gado e animais silvestres herbívoros.

O funcionamento desse ciclo vicioso, de forma que vegetais, microorganismos, insetos, peixes, aves, mamíferos, entre outros animais, incluindo o homem, estão em equilíbrio, completando a cadeia alimentar.

 

O Fenômeno da Dequada

 

Como e porquê

Dentro do ciclo de cheia e seca dos rios, no recuar das águas (período de vazante), a vegetação aquática morre e dá lugar à vegetação terrestre, na maioria gramínea, que rapidamente se recompõe. Durante a enchente, a água passa a cobrir a planície gradativamente, em lâminas d'água muito rasas, deixando a vegetação submersa. Ocorre então a decomposição de toda esta matéria orgânica, proveniente das plantas aquáticas mortas e das terrestres e à medida que aumenta o nível da inundação, os produtos da decomposição são levados para os lagos (“baias”), córregos (“corixos”) e rios.

         O processo de decomposição é tão intenso, que a atividade de oxidação da matéria orgânica pelas bactérias é capaz de consumir todo o oxigênio dissolvido (OD) na água e liberar o dióxido de carbono livre (CO2 livre), podendo chegar à total anoxia. Essas condições são muito limitantes para os peixes, e dependendo da intensidade e tempo de duração do fenômeno pode matar toneladas de peixes.

Então, a dequada é um fenômeno natural, caracterizado pela alteração das características da água, como cor, odor, oxigênio dissolvido, gás carbônico dissolvido, pH, condutividade elétrica, nutrientes (nitrogênio, fósforo, carbono), demanda bioquímica de oxigênio, dentre outros.

 

 

Quando ocorre

Ocorre sempre na subida das águas, normalmente de fevereiro a abril, quando o nível do rio Paraguai (medido na régua de Ladário-MS) passa dos 3,5m. A alteração da qualidade da água (dequada) ocorre todos os anos, mas a morte de peixes somente em anos em que o fenômeno é mais significativo.

O grau de deterioração da qualidade da água depende das características do regime hidrológico de cada ano: se o volume de cheia for grande e a velocidade de inundação alta, tais processos ocorrem antecipadamente (início da enchente), de forma mais acentuada e podem durar meses.

 

Onde ocorre

Ocorre em toda a área de inundação dos rios do Pantanal sul, principalmente na área de inundação do rio Paraguai. O fenômeno da dequada ocorre em toda a área de inundação dos grandes rios como Paraguai, Miranda, Aquidauana, Taquari e São Lourenço/ Cuiabá, durante o processo de enchente (janeiro-maio, no Pantanal sul), e pode atingir proporções suficientemente grandes para afetar grande parte do rio Paraguai à jusante, chegando, em alguns anos, até Porto Murtinho (MS), no final da bacia do Alto Paraguai, em território brasileiro. É, portanto, um fenômeno diferenciado da mortandade observada em lagoas e canais temporários, quando estão secando (outubro-dezembro, no Pantanal sul).

 

Efeitos sobre a vida aquática

Sabemos que os peixes sofrem com a dequada, quando não morrem ficam com dificuldades de respiração, por isso é freqüente observá-los "boqueando", ou seja, pegando ar na interface ar-água. O pacu desenvolve um “lábio” na parte inferior da boca para melhorar a eficiência na tomada de OD da superfície durante a dequada. Estima-se grosseiramente que a magnitude da mortandade de peixes em evento de dequada classificado como “elevada” como sendo da ordem de milhares de toneladas.

Tal fenômeno age como um “fator regulador” da estrutura (tipos de espécies presentes) e dinâmica (número de indivíduos ou densidade populacional) das comunidades aquáticas e deve ser estudado, principalmente no que diz respeito às populações de peixes e de organismos que compõem sua dieta.

Outro exemplo de efeito sobre os organismos aquáticos, é a mortandade da espécie de molusco bivalve introduzida (mexilhão dourado), cujos indivíduos morrem quando as concentrações de oxigênio dissolvido chegam a 0,0mg/L e permanecem por período prolongado (mais que um dia).

 

A influência da dinâmica das águas

 

Ciclo das águas e a fauna:

No período da "vazante", quando as águas voltam aos leitos dos rios, ocorre a saída do peixe jovem, dos campos para os rios. Como nem todo peixe consegue sair, formam-se concentrações dos mesmos nos remanescentes de água pouco profundo. Neste período se dá a chegada das aves aquáticas, e são vistas facilmente e com grande freqüência, parecendo, por isso mesmo, ser as mais numerosas da região fazendo com isso o ciclo reprodutivo. A vegetação alta da margem das lagoas é apropriado para a nidificação. Estabelecem-se então os chamados "viveiros" ou "ninhais" compostos por várias espécies locais entre eles : cabeças-secas (Mycteria americana), garças brancas (Casmerodius albus e Egretta thula), colhereiros (Ajaia ajaja), maguaris (Ardea cocoi), socozinhos (Butorides striatus) entre outros. Estes viveiros, entretanto, não são constituídos exclusivamente por aves, mas também por outros animais, presas e predadores como o caracará ( Polyborus plancus), urubu-comum (Coragyps atratus), bugio (Alouatta caraya), macaco-prego (Cebus apella) e sucuri (Eunectes noctaeus), dentre outros.

Existem espécies que migram na região central (Pantanal). São as cegonhas, conhecidas como as cabeças secas - uma espécie norte-americana -, e os colhereiros, que migram conforme a subida e a descida das águas do Pantanal. Vindas da Argentina e se reproduzindo no Brasil, elas chegam entre junho e julho e formam suas colônias de reprodução. Criam sua ninhada e no final do ano, época em que as águas dos rios começam a subir, retornam para a região no norte da Argentina e do Uruguai.

 

O ciclo das águas e a paisagem

         A planície possui um fundo plano com altitude média de 120 metros acima do nível do mar, com extensão norte-sul de aproximadamente 650 km, e se encontra cercada por um sistema de chapadas, serras e planaltos ou seja, um “recipiente” das águas pluviais. A dinâmica das águas pantaneiras acaba por influenciar direta e intimamente na modelagem das formas do local, atuando na  formação de diferentes unidades da paisagem. Regionalmente existe uma terminologia diferenciada para designar essas áreas:

§        Baías: são áreas baixas de forma circular, semicircular ou irregular, algumas vezes salinas, contendo água parada na estiagem e com ou sem correnteza na cheia; suas dimensões variam de dezenas a centenas de metros;

§        Baixadas: porções das baías sujeitas a inundação sazonal;

§        Barreiros: são as baías que têm água periódica ou sazonalmente;

§        Salinas: são lagos perenes ou temporários, com água salobra; durante a estação seca são cobertas com incrustações de sal, e são em sua maioria, desconectadas das baías inundadas sazonalmente;

§        Córregos: são os pequenos cursos de água;

§        Capões: são morrotes cobertos de vegetação, de vários tamanhos, e de forma aproximadamente circular ou elíptica;

§        Cordilheiras: são pequenas elevações de terreno localizadas entre as baías, com elevações médias de cerca de 2-3 m sobre o nível da água das baías. Embora sejam normalmente secas, são sujeitas a inundação durante cheias excepcionais. As cordilheiras servem como áreas mais seguras para a localização das sedes das fazendas e currais e como refúgio para os rebanhos, aves e outros animais silvestres durante cheias;

§        Vazantes: são largas depressões situadas entre as cordilheiras, não apresentando um canal claramente definido. Durante a estação de cheias, essas depressões drenam riachos intermitentes, se estendendo por vários quilômetros. Todavia, muitas vazantes são perenes, revelando a presença de uma substancial vazão de subsuperfície;

§        Corixos: ao contrário das vazantes, são pequenos cursos de água permanentes, conectando baías adjacentes com canais mais estreitos e muito mais profundos. Quando o corixo é longo, e tem uma seção transversal bem definida, é chamado de corixão.

 

Perigos no paraíso:

Mesmo os estudiosos radicais hão de concordar que, às vezes, a intervenção do homem na natureza vem para bem. A introdução do gado no paraíso mato-grossense, nas primeiras décadas deste século, por exemplo, acabou trazendo benefícios. A criação extensiva preencheu milhares de quilômetros quadrados com atividades econômicas que jamais perturbaram o equilíbrio ecológico. E o terreno arenoso, que não serve à agricultura, serve perfeitamente ao florescimento de pasto, excelente alimento para bois e outros herbívoros.

 

Os Estragos trazidos pelo Homem:


· Poluição
A poluição do pantanal tem se acelerado com a crescente ocupação urbana das bacias hidrográficas que entornam o Pantanal propriamente dito. No caso da região norte do Pantanal, a questão é mais preocupante, uma vez que além da poluição urbana, somam-se à mesma a poluição dos garimpos de ouro e diamante.
Concomitante a isso nota-se uma destruição gradual dos seus entornos através das nascentes dos rios, dos agrotóxicos e fertilizantes das lavouras. Outro ecossistema ligado diretamente ao Pantanal é o Cerrado, cujo aproveitamento econômico, através do plantio de extensas lavouras de soja e outros produtos, tem impactado negativamente toda a região do Pantanal, como a contaminação das águas, do solo, entre outras.

· Erosão
O mau uso do solo nas sub-bacias que compõem o Pantanal faz com que os processos erosivos aumentem de intensidade ano a ano, aumentando por conseguinte a quantidade de resíduos totais e o transporte de sedimentos no leito dos rios. 

· Sub-Bacia do Rio Cuiabá
A principal sub-bacia comprometida é a bacia do rio Cuiabá. De acordo com levantamentos preliminares dos técnicos da FEMA, feitos a partir do Projeto de Monitoramento da Qualidade da Água (MQA), 71 indústrias são potencialmente poluidoras, sendo que 30,9% são responsáveis por toda a carga de origem industrial
lançada principalmente nos rios Cuiabá e Coxipó. Os córregos da Prainha, Gambá, Mané Pinto, Barbado e o rio Coxipó recebem diretamente em seus leitos e sem qualquer tratamento a carga de esgoto da Grande Cuiabá (Cuiabá e Várzea Grande). Nas praias de Santo Antonio do Leverger (a poucos quilômetros de Cuiabá) o alto índice de coliformes fecais registrado torna impróprio o banho de moradores e turistas.

· Poluição Urbana
A poluição urbana, além de seus dejetos naturais, origina-se principalmente de: usinas de cana-de-açúcar, frigoríficos, e curtumes.

· Pesca predatória
A pesca predatória trazida pelo homem vem trazendo uma redução no número de espécies de peixe. Isso pode resultar em um desequilíbrio ecológico, aumentando o número de peixes de uma determinada espécie devido o desaparecimento do seu inimigo natural. Esse aumento pode reduzir também o número de peixes do qual se alimentavam, pois o número de consumidores de uma ordem acima aumenta enquanto que os da ordem mais baixa diminuem, proporcionando um verdadeiro desequilíbrio ecológico.

 

 Convenção de Ramsar

RAMSAR é a Convenção Relativa às Áreas Úmidas de Importância Internacional concluída em Teerã, no Irã, em 02 de fevereiro de 1971, visando a proteção das zonas úmidas como pântanos, charcos, turfas ou águas naturais ou artificiais, permanentes ou temporárias, água doce, salobra ou salgada, incluindo as águas marítimas como menos de 6 metros de profundidade na maré baixa.

A seleção dessas zonas deve fundamentar-se em critérios gerais e/ou específicos, em termos ecológicos, botânicos, zoológicos, imunológicos ou hidrológicos, dando-se prioridade àquelas áreas que sejam relevantes, em qualquer época do ano, para aves aquáticas, migratórias ou não

No Brasil a Convenção RAMSAR foi ratificada em 16/06/92 e promulgada pelo Decreto nº 1.905, de 16/05/96. O território brasileiro é o quarto em áreas úmidas protegidas pela citada convenção, totalizando mais de 45 milhões de Km2, compreendendo os seguintes sítios:

- Área de Proteção Ambiental da Baixada Maranhense (AM)

- Área de Proteção Ambiental das Reentrâncias Maranhenses(MA)

- Parque Estadual Marinho do Parcel Manuel Luiz, incluindo os Baixios do Mestre Álvaro e do Tarol (MA)

- Parque Nacional do Araguaia (TO)

- Parque Nacional da Lagoa do Peixe (RS)

- Parque Nacional do Pantanal Matogrossense (MT)

- Reserva de Desenvolvimento sustentável Mamirauá (AM)

.

Caracterização:

O Pantanal ocupa uma área de aproximadamente 240mil km²  e se estende além das fronteiras brasileiras (140mil km² no Brasil),  ocupando em parte a Bolívia e o Paraguai(100 mil Km²).

 

Hidrografia:

É denominado de Alto Paraguai a parte da bacia deste rio que

tem sua maior porção em território brasileiro e que corta a planície pantaneira. A Bacia é limitada ao Norte pelo Planalto dos Parecis e pela província Serrana, ao sul, pelo rio Apa, a leste pelas Serras da Bodoquena, Maracajú, São Domingos e   Pantanal, e a Oeste, pelo rio Paraguai e repúblicas do Paraguai e da Bolívia. Está compreendida entre os paralelos de latitude 14º e 23º S e longitude de 53º e 60º W,  no Brasil se concentra nos  Estados do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.

A Bacia Hidrográfica do Alto Paraguai possui uma extensão de, aproximadamente, 496.000 Km², dos quais 396.800 Km² pertencem ao Brasil e 99.200 Km² às Repúblicas do Paraguai e Bolívia. A porção brasileira divide-se em 207.249 Km² pertencentes ao Estado de Mato Grosso do Sul e 189.551 Km² pertencentes ao Estado de Mato Grosso.  Desta área, cerca de 64% corresponde a planaltos e 36% a planícies.

 

Clima:

Em termos gerais, o Pantanal matogrossense, assim como as demais áreas drenadas por essa Bacia, sofrem ação de um regime climático Tropical com alternância de duas estações bastante distintas e marcadas, o inverno seco (abril a setembro) e verão com

grande concentração das precipitações (outubro a março).

 

Geologia e Pedologia:

Em decorrência do grande fluxo de água e os fracos gradientes topográficos  que dificultam o escoamento fluvial os solos originados são recentes ou sub recentes em fases argilosas e arenosas, de forma alternada e contínua.

AB'SABER (1988), em um extenso trabalho sobre a origem do Pantanal Matogrossense, desenvolve a idéia de que o que hoje é uma depressão teria sido no passado uma vasta abóbada de escudo, que funcionava como área de fornecimento de detritos para as bacias sedimentares do Grupo Bauru (Alto Paraná) e Parecis.

A vasta abóbada de escudo existente até o Cretáceo comportou-se depois como anticlinal esvaziada, de grande amplitude regional. Isto teria acontecido porque durante o soerguimento pós-cretácico de conjunto teriam ocorrido nela falhamentos importantes facilitando seu desventramento.

Hoje o Pantanal Matogrossense se caracteriza por extensas planícies de acumulação, com cotas inferiores a 200 metros. Sua evolução no passado, atual e futuramente está submetida às condições das áreas elevadas que o rodeiam, pois estas constituem sua fonte de água e sedimentos (Godói Filho, 1986). Este autor apresenta algumas características geológicas das formações que ocorrem nas planícies de acumulação e daquelas que constituem sua área de influência: Complexo Rio Apa, Complexo Xingu, Grupo Rio Branco, Suite Intrusiva Guapé, Grupo Cuiabá, Grupo Corumbá, Grupo Jacadigo, Grupo Alto Paraguai, Grupo Amoguijá, Suite Intrusiva Alumiador, Suite Intrusiva Rio Alegre e Grupo Aguapeí (Pré-Cambriano); Formações da Bacia Sedimentar do Paraná, Basalto de Tapirapuã, Formação Jauru e Intrusivas Ácidas (Paelozóico e Mesozóico); Cobertura Detrito-laterítica, depósitos detríticos, Formação Xaraiés e Formação Pantanal (Cenozóico).

Ao longo dos trabalhos de mapeamento geomorfológico realizados através do Projeto RADAMBRASIL (Franco & Pinheiro, 1982) foram identificadas nove unidades geomorfológicas na região, destacando-se a unidade denominada Planícies e Pantanais Matogrossense, que os autores descreveram como sendo um enorme anfiteatro voltado para oeste. Esta unidade foi subdividida em oito Pantanais, individualizados por suas características morfogenéticas (altimetria relativa, litologia e pedologia) e botânicas: Pantanal do Corixo Grande-Jauru-Paraguai, do Cuiabá-Bento Gomes-Paraguaizinho, do Itiquira-São Lourenço - Cuiabá, do Taquari, do Negro, do Miranda-Aquidauana, do Jacadigo-Nabileque, e de Paiaguás.

Toda a discussão relativa à incorreção do uso do termo Pantanal (uma vez que não se trata de uma área com características pantanosas) e às diferentes propostas de sub-divisões da região foi extensamente relatada por da Silva (1990). O principal fato é que embora toda a área esteja submetida a uma gênese comum, caracterizada pelo processo de acumulação, a diferente disposição dos sedimentos confere características distintas a cada subunidade.

Segundo OLIVEIRA (1943) as formações geológicas do Pantanal são as comuns das planícies de inundação: vasas, arenitos e argilas, formando uma capa relativamente delgada sobre o fundamento Paleozóico da Bacia do Alto Paraguai, e são depósitos, na maior parte recentes.

 Os solos, em sua maioria, são arenosos e pobres, com pequenas manchas argilosas e calcáreas, mais ricas. Os Plintossolos (tipo de solo mais encontrado no Pantanal Matogrossense) são originários de sedimentos areno-argilosos do Quaternário, são naturalmente pobres em húmus, com a propriedade de endurecer irreversivelmente quando submetido a ambiente oxidante e, em geral, de baixa fertilidade natural. A maior limitação ao uso destes solos é decorrente do excesso de água. São encontrados, com maior intensidade, em áreas planas e rebaixadas, sujeitas a inundações.

 

Fitogeografia:

Segundo a EMBRAPA (1987) o “Complexo do Pantanal” apresenta associações florísticas pertencentes à quatro províncias fitogeográficas: Cerrados, Floresta Estacional Semidecidual e Decidual, e Vegetação Chaquenha, predominada principalmente por Cerrado.

A vegetação desta área apresenta algumas fisionomias diferentes: Arbórea densa (cerradão), com o agrupamento de espécies xeromorfas; Arbórea aberta, com composição florística semelhante a do cerradão, porém com estrutura mais baixa e aberta; Savana-Parque (parque Cerrado), com fisionomia estritamente campestre e Gramíneo-lenhosa (campo), com fisionomia campestre e predominantemente graminóide.

A Floresta Estacional Semindecidual (aluvial  e de terras baixas), ocorrem em estreitas associações com a Savana, nas áreas de acumulação inundáveis, margeando os rios e são denominadas áreas de Tensão Ecológica..

 

A cobertura vegetal é dividida em três zonações principais segundo VELOSO (1948):

a)     Zonação aquática ou hidrófila: característica dos terrenos permanentemente alagados, na qual se distingue, as espécies que vivem na água corrente, as espécies vivem nas águas paradas e as associações de espécies fixas no fundo e de águas pouco profundas.

b)    Zonação higrófila: compreende duas grandes zonas. A primeira, constituída por associações situadas em solo alagado durante a época das cheias, que não seca completamente, durante os meses da vazante. A segunda compreendendo as associações situadas nas terras que são periodicamente inundadas, integrada por agrupamentos situados nos lugares mais altos, ao longo dos rios.

c)     Zonação mesófila: ocupa os terrenos mais altos de formação aluvial. As associações desta zonação, não sofre a ação direta das inundações e são constituídas por espécies adaptadas ao meio intermediário.

 

Fauna

O Pantanal Matogrossense é uma das áreas mais ricas em elementos faunísticos, trata-se de uma espécie de mosaico, onde se interpenetram diversos ecossistemas e suas respectivas faunas.

Esta diversidade é permitida pelos diferentes tipos de ambientes e suas áreas de transição, destacando-se avefauna desta região pela sua variedade e exuberância. A fauna deste local, aparece em geral, associada a formações vegetais e as áreas alagadas ou não. As regiões continuamente alagadas, possuem como fauna característica mamíferos como a ariranha, o ratão-do-banhado, a capivara e a lontra; aves como a garça-branca, marreca, cabeça-seca, tuiuiu, colhereiro e curicaca e répteis como o jacaré e a sucuri.

As regiões que sofrem alagamentos periódicos são habitadas por antas, capivaras, cervos, jaguatirica; muito semelhante à fauna de regiões continuamente alagadas. As regiões de florestas, compõe-se de bugio, cachorro-vinagre, queixada, preguiça, anta etc.

A ictiofauna desta região é muito importante devido ao sua importância econômica e é também uma das mais ricas do mundo.

 

Os povos indígenas

·        Paiaguás

Povo indígena hoje extinto, habitavam o pantanal quando da chegada dos Portugueses e travaram, juntamente com os Guaikuru, intensas batalhas, das quais muitos portugueses não sobreviviam. Perseguidos e acuados, foram progressivamente sendo exterminados não restando qualquer registro da presença de seus descendentes atualmente.

·        Guaikuru

Aliados dos Paiaguás contra um inimigo comum, os exímios cavaleiros guaikurus ofereceram grande resistência à povoação do Pantanal matogrossense. Um tratado de paz em 1791 os declara súditos da Coroa Portuguesa.

·        Guatós

Povo de lingua do tronco Macro-Jê. Foi considerado extinto por 40 anos, até que, em 1977, foi reconhecido um grupo Guató na ilha Bela Vista do Norte. Vive no Pantanal Mato-Grossense e disperso ao longo dos rios do médio e alto Paraguai, São Lourenço e Capivara, no município de Corumbá (MS). Segundo a Funai, em 1989 eram 382 índios.

·        Terenas

Ou Tereno. Povo de língua da família Aruák. Parte dele (cerca de 12.000 indivíduos) vive no oeste de Mato Grosso do Sul, em oito áreas indígenas; outra parte (350 índios) ocupa terras nas áreas indígenas de Icatu, Araribá e Venuíre, no interior do Estado de São Paulo, juntamente com os Kaingang.

·        Bororos

Povo falante de língua do tronco macro-jê. Os Bororo atuais são os Bororo Orientais, também chamados Coroados ou Porrudos e autodenominados Boe. Os Bororo Ocidentais, extintos no fim do século passado, viviam na margem leste do rio Paraguai, onde, no início do séc. XVII, os jesuítas espanhóis fundaram várias aldeias de missões. Muito amigáveis, serviam de guia aos brancos, trabalhavam nas fazendas da região e eram aliados dos bandeirantes. Desapareceram como povo tanto pelas moléstias contraídas quanto pelos casamentos com não-índios. Os Bororo Orientais habitavam tradicionalmente vasto território que ia da Bolívia, a oeste, ao rio Araguaia, a leste e do rio das Mortes, ao norte, ao rio Taquari, ao sul. Ao contrário dos Bororo Ocidentais, eram citados nos relatórios dos presidentes da província de Cuiabá como nômades bravios e indomáveis, que dificultavam a colonização. Foram organizadas várias expedições de extermínio. Uma delas, a de Pascoal Moreira Cabral, em 1718 ou 1719, após ser derrotada pelos indígenas, descobriu ouro às margens do rio Coxipó. Estimados na época em 10 mil índios, os Bororo sofreram várias guerras e epidemias até sua pacificação, no fim do século XIX, quando foram reunidos nas colônias militares de Teresa Cristina e Isabel e estimados pelas autoridades em 5 mil pessoas. Nas colônias, a convivência com os soldados, a promiscuidade, o consumo de álcool e as doenças reduziram ainda mais a população. Entregues aos salesianos para catequese, em 1910, os Bororo somavam 2 mil índios. Em 1990, com uma população de aproximadamente 930 pessoas, vivem em cinco pequenas áreas indígenas (Merure, Teresa Cristina, Tadarimana, Perigara e Jarudore) que somam 133 mil hectares, nos municípios de Barra do Garça, Barão do Melgaço, General Carneiro, Poxoréu e Rondonópolis no Estado do Mato Grosso. Há também um grupo em Sangradouro, no mesmo estado. Este povo, que era caçador e coletor, vive hoje da agricultura e da venda de artesanato. Sua cultura, muito complexa, foi objeto de muitos estudos. As pessoas são separadas em várias categorias sociais, com papéis de oposição; durante o ritual funerário, que pode durar até dois meses, juntam-se em papéis complementares e fazem novas alianças, reforçando a coesão grupal.

·        Umotinas

Subgrupo Bororo de língua da família Otukê, do tronco Macro-Jê. Eram conhecidos como “barbados”, porque usavam barba, às vezes postiça - feita de pêlos de macaco bugio ou de cabelos das mulheres da tribo. Vivem na Área Indígena Umutina, no município de Barra dos Bugres no Mato grosso, juntamente com os Paresí, Kayabí e Ñambikwára.

·        Parecis

Ou Paresí. Denominação dada a vários povos indígenas que falavam dialetos da língua Paresí, da família Aruák. Viviam no planalto do Mato Grosso e eram uma das fontes de escravos preferidas dos bandeirantes; dóceis e pacíficos, trabalhavam na agricultura e fiavam algodão para a confecção de redes e tecidos. No início do século XX foram encontrados pela comissão do Marechal Rondon, ainda traumatizados pela violência dos contatos anteriores. Rondon os conduziu para terras protegidas por suas tropas e os Paresí se tornaram seus principais guias na região. Um desses povos, autodenominado Halíti, vive na região dos rios Juruena, Papagaio, Sacre, Verde, Formoso e Buriti, no oeste de Mato Grosso, em várias áreas indígenas, nos municípios de Tangará da Serra, Vila Bela da Santíssima Trindade e Diamantino. Em 1990, segundo a Funai, eram 900 índios.

 

Ecologia de Populações